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Domingo, 06/07/2008
Nas provas de atletismo em que o tiro é usado como largada, quem está na raia de dentro tem vantagem sobre os demais competidores. Era algo que eu imaginava exatamente o contrário quando criança (os de fora pareciam largar na frente), mas pelo motivo errado. As raias têm a mesma distância, óbvio. A questão é a propagação do som do tiro, que demora mais para chegar ao lado de fora da pista.
Corredores da linha oito saem de suas marcas em média 150 milisegundos depois dos corredores da linha um, segundo estudo de um professor da Universidade de Indiana. O tempo equivale a cerca de um metro de diferença na linha de chegada.
O efeito é agravado pelo fato dos atletas tenderem a correr pior ao perceberem que tiveram um início ruim.
A Federação Internacional de Atletismo (Iaaf) diz que sabe do problema, mas não vê urgência em alterar a tecnologia usada hoje antes das Olimpíadas.
http://www.sokwanele.com

A população do Zimbábue não mais poderá usar as urnas para mandar o recado que gostaria a Robert Mugabe, o ditador no poder há 28 anos.
Com a vida de seus partidários correndo perigo, o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, desistiu de disputar o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para a próxima sexta-feira.
A situação é vergonhosa. Pelo menos 85 pessoas foram mortas por motivação política nas últimas semanas. Os que têm estômago podem ver o que acontece com quem não participa dos comícios do ditador nesta galeria do Flickr (via Andrew Sullivan).
Por mais ilógica que pareça, a decisão de Tsvangirai foi a mais sensata. De alguma forma, pelo menos no curto prazo, é uma atitude que pode preservar vidas, além de chamar a atenção da comunidade internacional para o absurdo que vive o país e não legitimar uma vitória fraudada de Mugabe.
Se nada acontecer, Mugabe, aos 82 anos, pode se autodeclarar vencedor e ser coroado com mais cinco anos de poder, embora seja uma incógnita como ele fará para governar. Seu partido, o Zanu-PF, perdeu a maioria no Parlamento para o grupo de Tsvangirai, o Movimento por Mudanças Democráticas (MDC), que se nega a formar um governo de coalizão. Além disso, Mugabe precisa do suporte dos países vizinhos. A economia do Zimbábue está à beira do colapso. A taxa de desemprego chega a 80% e a inflação passa dos milhares de por cento ao ano.
O MDC pede a ajuda de governos da região para saber o que pode ser feito agora. Não excluem a hipótese de uma intervenção da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) ou da União Africana.
Mas o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, nomeado mediador do coflito pela SADC, mostra pouco empenho em ajudar. Por enquanto, limitou-se a dizer que o MDC deve continuar com as negociações para chegar a um acordo com o Zanu-PF. Pressão sobre Mugabe, da parte dele, não há. Mbeki também é contra colocar a questão na agenda do Conselho de Segurança da ONU, como querem EUA e Reino Unido.
O MDC disse que vai aguardar a reação dos países vizinhos para tomar qualquer nova decisão. Um anúncio do partido está previsto para quarta-feira. Se as forças da ONU ou da União Africana conseguirem evitar mais violência e garantirem eleições sem fraude, Tsvangirai diz que pode voltar atrás e disputar o pleito. Mas não há motivos para acreditar que a ONU vá conseguir fazer em três dias o que não fez desde março, quando saiu o resultado do primeiro turno das eleições.
Christian Rizzi/Gazeta do Povo

A historiadora Milda Rivarola é a grande surpresa do futuro gabinete de Fernando Lugo. Indicada para o ministério das Relações Exteriores, ela terá papel fundamental na negociação do preço da energia de Itaipu – caso a proposta brasileira de financiar um “PAC paraguaio” não satisfaça a turma lá.
A primeira vez que ouvi falar de Milda foi numa excelente matéria de Consuelo Dieguez, publicada na edição de dezembro da revista Piauí. O texto saiu alguns dias antes de uma viagem que eu e o repórter fotográfico Christian Rizzi faríamos ao Paraguai e aproveitei para pescar algumas fontes. A nossa pauta era o imbróglio de Itaipu – e como a questão estava repercutindo na campanha presidencial.
Em Assunção, liguei para Milda. Descalça, fumando compulsivamente e vestindo um longo vestido branco, ela nos recebeu em sua casa. De voz rouca e fala rápida, muitas vezes complicada de entender, foi bastante simpática. Inclusive me presenteou com um livro-revista de artigos sobre a América Latina. Ao lado de textos de Cristina Kirchner, Guido Mantega, Álvaro Uribe, Rafael Correa e Hugo Chávez, o dela discutia o clientelismo na política paraguaia.
Milda estava encucada com um email que havia recebido: a íntegra de um suposto acordo entre o ex-general Lino Oviedo e o atual presidente, Nicanor Duarte. O texto era um compromisso de Oviedo de renunciar à candidatura em favor do candidato colorado (na época ainda desconhecido). Pelas palavras e pelo conteúdo, Milda dizia que lembrava muito a maneira de falar de Oviedo. Mas, fora as assinaturas, parecia mesmo ser uma montagem (o texto era editável no Word!).
Bastante discutida durante as eleições, a tese mais aceita no Paraguai é de que a repentina libertação de Oviedo, em outubro do ano passado, foi uma estratégia de Duarte para rachar a oposição. Com a missão cumprida – a Concertácion caiu alguns dias após a libertação – , Oviedo sairia de cena. Até a véspera da votação, o grande medo da campanha de Lugo era uma migração em massa dos eleitores de Oviedo para a candidata colorada, Blanca Ovelar. Como se sabe, o ex-general acabou não desistindo, mas foi por pouco.
Três dias antes da eleição, Oviedo comunicou uma viagem de última hora para os Estados Unidos. Alegou uma proposta do governo norte-americano, irrecusável para suas "pretensões políticas". No dia seguinte ao anúncio, os principais jornais paraguaios entenderam aquilo como uma desistência implícita de sua candidatura. A repercussão foi tal que o ex-general voltou atrás. A própria Milda, na época, disse que Oviedo recuou após ter ponderado sobre os danos que a viagem causaria a seu partido, a Unace. Sem uma base forte no Congresso, ele perderia a voz na política do país (àquela altura, já estava claro que ele não tinha chances de vencer a Presidência).
Agora, a Unace negocia fazer parte da base do governo. Das duas, uma: ou a teoria do acordo com os colorados é apenas isso, uma teoria, ou o senhor Oviedo está sendo ingrato com quem o libertou e agora vai nadar na onda de Lugo e do Partido Liberal. É da política, claro, e no Paraguai a coisa toda é ainda mais absurda. Como diz um ditado famoso por lá (já citado aqui antes), um cavalheiro não tem memórias.
Voltando a Milda. Acabo de escutar novamente a entrevista que fiz com ela naquele dia. Eis algumas das posições que ela defendeu:
-- A idéia de um Brasil imperialista ganhou força no Paraguai com os conflitos gerados pela chegada da “agricultura de capitalismo puro” (feita pelos brasiguaios) à região de San Pedro e ao rio Paraguai, onde há uma alta concentração da “agricultura de campesinos”.
-- Itaipu é uma caixa preta. Ninguém sabe para onde vai o dinheiro ganho lá. Com tanta corrupção, muitos paraguaios passaram a ver Itaipu como o vilão do filme.
-- O Paraguai quer ter o direito de vender a energia a terceiros (o que o tratado proíbe).
-- Itaipu deveria bancar a construção da infra-estrutura necessária para que o Paraguai possa vender energia a terceiros.
-- O Brasil não é o único culpado (pela insatisfação do povo paraguaio com Itaipu). É evidente que o Brasil defende primeiro seus interesses, mas o Itamaraty também está interessado em manter um bom intercâmbio com o Paraguai.
-- Um acordo é possível, mas complicado, porque teria de ser ratificado pelos dois Congressos, e é difícil que se chegue a um consenso.
Por fim, ela elogia novamente o Itamaraty (“que sabe o que quer”) e critica a política exterior paraguaia, “de mendigagem”.
Agora, dona Milda, a mudança está nas suas mãos -- só não vá mudar da mendigagem para a malandragem, ein? Cenas do próximo capítulo a partir de 15 de agosto, quando o novo governo toma posse.
Mais sobre a indicação de Milda lá no blog do Sergio Leo, repórter especial e colunista do Valor.
[M] SE / Forum / AP / Mariusz Grzelak / East News
![[M] SE / Forum / AP / Mariusz Grzelak / East News / [M] SE / Forum / AP / Mariusz Grzelak / East News /](../../../midia_tmp/366-tabloide.jpg)
O "Milagre de Berna"* -- como ficou conhecida a vitória da Alemanha contra a Hungria de Puskas, na Copa da Suíça, em 1954 -- encheu de orgulho o povo alemão, humilhado naqueles anos pós-guerra, e reinseriu o país na comunidade internacional.
Há quem defenda que a vitória do escrete canarinho na Copa de 70 deu fôlego à ditadura no Brasil.
Em alguma medida, essas afirmações até podem ser verdadeiras. O acaso sempre fez parte da história da humanidade. O historiador e jornalista alemão Joachim Fest, biógrafo de Hitler, disse que o “4 de Julho de 1954, em certos aspectos, foi o dia da fundação da República da Alemanha”. Mas atribuir a um jogo de futebol o destino de um país é mais fetichismo do que realidade histórica. Mesmo no caso mais famoso de "futebol leva à guerra", entre Honduras e El Salvador, em 1969, a partida foi apenas uma desculpa para o conflito – causado na verdade por uma disputa territorial.**
Lembro esses casos porque há sinais de nacionalismo nesta Euro 2008, que começou no último sábado. Um dia antes do jogo entre Alemanha e Polônia, o tablóide polonês Super Express colocou na capa a foto do treinador Leo Beenhakker carregando as cabeças degoladas do jogador Ballack e do técnico alemão, Joachim Löw, sob a manchete: “Tragam as cabeças deles”.
Exemplos de nacionalismo no futebol são comuns. Na Copa de 2002, no jogo entre Argentina e Inglaterra, os torcedores ingleses gritavam em coro: “Onde está sua marinha? No fundo do mar”. Quando a França foi derrotada por sua antiga colônia, o Senegal, na última Copa da Alemanha, o presidente senegalês, numa espécie de “nacionalismo pan-africano”, disse que o time “defendeu a honra da África”.
Apesar de ser uma ilusão acreditar que o futebol pode trazer paz e união entre países em conflito, o estádio tem o potencial de se transformar num palco ideal para torcedores demonstrarem seus preconceitos e concepções sobre a identidade e a nacionalidade de um povo. Jorge Luis Borges não gostava de futebol justamente porque suscitava rivalidades. Disse ele:
Lo que yo encuentro sobre todo malo em los deportes es la idea de que alguien gane y de que alguien pierda, y de que este hecho suscite rivalidades. Y hasta sospecho que a la mayoría de la gente que dice que le interessa el futebol, no le interessa nada, puesto que, si le interesara, no le importaria quién haya vencido finalmente. Em cambio, yo me encuentro com personas que me dicen: "Me gusta el football". Pero resulta que no: lo que ellos quieren es que gane tal o cual cuadro, lo que me parece del todo ajeno a la idea del juego em sí. Y eso pude notarlo cuando hubo un famoso partido entre orientales y argentinos: las personas, antes de que se jugara, ya peretnecian a un bando o a otro, lo cual me pareció rarísimo, puesto que, antes de haber jugado, cómo podían saber quiénes iban a jugar mejor o pedor, quiénes iban a ser más fuertes o más hábiles? Pero todo esto, por supuesto, es fomentado comercialmente. ***
Tem razão, em parte, mas Borges provavelmente nunca assistiu a um jogo de futebol no estádio – apesar de ser difícil imaginar que Borges não poderia ter imaginado alguma coisa. Ainda que muitos acreditem, com todo o direito, ser algo completamente idiota, o espetáculo do jogo seduz. Não há qualquer demérito em ter amor ao time. Futebol, para o torcedor, é hobby. Quem acompanha acredita que ele traga algum tipo de prazer. É certo que a alegria de vencer contém um tanto de satisfação pela derrota alheia -- e a derrota a frustração pela vitória do adversário. O que não é, em tese, nem de longe, um pecado, mas pode levar os mais irracionais -- e em grupo há boas chances de eles se destacarem -- a atos completamente absurdos em nome da defesa de uma paixão que deveria passar longe da agressão e da violência.
Como diz o editor internacional do Financial Times, Gideon Rachman, os rancores da história, com o tempo, estão sendo substituídos pela rivalidade criada no próprio campo de futebol. Casos como o do tablóide polonês, porém, servem justamente para alertar que a história ainda vive.
(Se bem que teria sido muito mais preocupante se o jornal tivesse colocado a cabeça degolada de Podolski na capa da edição do dia seguinte ao jogo. Polonês de nascimento, ele marcou os dois gols que garantiram a vitória da Alemanha.)
Vale lembrar que a Eurocopa está sendo disputada no mesmo momento em que se decide o futuro do Tratado de Lisboa, carta que substitui o fracassado projeto de Constituição européia.
Os irlandeses vão às urnas amanhã votar o referendo sobre o projeto de integração. Ao contrário dos outros 26 países do bloco, a Irlanda foi a única a submeter o texto a sufrágio popular. Os demais optaram por uma aprovação parlamentar e 15 já ratificaram o texto. Caso digam não -- como fizeram franceses e holandeses em 2005, quando a carta era bem mais "gorda" --, os irlandeses afundarão a União Européia numa nova crise. Quem campanha fortemente contra o tratado é o partido nacionalista Sinn Fein, considerado o braço político do IRA.
* Há um bom filme sobre a história, lançado em 2003, com o mesmo nome.
** O evento acabou conhecido como a “Guerra do Futebol”, imortalizado nas palavras do mestre Ryszard Kapuscinski, em livro homônimo.
*** Trecho retirado do livro “Siete Conversaciones com Borges”, de Fernando Sorrentino.
Todas as especulações de que Hillary estaria dividindo o partido ao insistir na sua candidatura serão esquecidas após o discurso desta tarde, em que ela "suspendeu" a campanha e pediu união em torno de Obama. Em nenhum momento sugeriu que seria melhor candidata para enfrentar McCain, como vinha fazendo.
É, claro, uma mudança no discurso, que pode ter dois objetivos: 1) conquistar a vaga de vice na chapa democrata e 2) uma maneira de alcançar um acordo que a permita pagar suas dívidas de campanha.
São cinco meses até a eleição. Com a perspectiva de uma disputa acirrada, o primeiro candidato negro com chances reais de se tornar presidente e a ressaca de oito anos de governo Bush, essa será a eleição mais noticiada de todos os tempos. Com o passar dos dias, a polarização McCain-Obama vai se tornar cada vez mais nítida.
Fica difícil imaginar, portanto, que em novembro os eleitores ainda lembrarão da teimosia de Hillary em não jogar a toalha.
As vaias quando Obama foi mencionado no discurso (no vídeo abaixo) partem do mesmo eleitorado que estava com Hillary mais por não querer Obama como candidato do que por afinidade com a senadora. A mensagem de Hillary foi clara: os meus 18 milhões de eleitores são seus, Barack, venha conquistá-los. Ele precisará deles para chegar à Casa Branca.
As vaias:
Paulo Briguet, repórter e colunista do Jornal de Londrina, abriu um blog cá neste portal. O homem é fera. Do perfil dele:
Sim: livro, bar, mulher, criança, amigos, Turguêniev, Woody Allen, Paulinho da Viola, Milton Friedman, João Paulo II, Ronald Reagan. Não: Brecht, Skank, Che Guevara, PT, Lula, Chávez e politicamente corretos.
E o melhor de tudo, ele é palmeirense, hehe. Passem lá.
Vídeo do Ordem Livre:
Crianças que vivem em áreas atingidas por conflitos ou desastres continuam sofrendo abuso sexual por parte de funcionários de ONGs e membros de tropas de paz, sugere um relatório divulgado nesta terça-feira pela entidade britânica Save the Children.
Intitulado Noone to turn to - The under-reporting of child sexual exploitation and abuse by aid workers and peacekeepers (Ninguém a quem recorrer - A pouco denunciada exploração sexual infantil por funcionários de ONGs e tropas de paz), o documento é resultado de entrevistas feitas em 2007, com 341 crianças na Costa do Marfim, sul do Sudão e no Haiti.
(...) O documento ressalta que as tropas de paz da ONU “são uma fonte particular do abuso em várias localidades, especialmente no Haiti e na Costa do Marfim.
Agora, o exercício. E se fossem soldados americanos, e não da ONU, alguém imagina a histeria global decorrente dessa notícia?
Lembremos que quem comanda a tropa da ONU no Haiti é o Exército brasileiro. O histórico não é dos melhores.

Não dá pra levar a sério essa história da Unasul. Se nem no Mercosul -- com quatro membros (sem contar a Venezuela, que ainda não teve a entrada aprovada) -- conseguimos consenso, imagine entre 12 países. O mais absurdo é o início do funcionamento do bloco sem a aprovação dos respectivos Congressos. Lá vai nosso suado dinheirinho sustentar todo o aparato burocrático da criação de mais um Parlamento.
Do blog do Guilherme Fiuza:
Lula disse que a América do Sul unida pode mover o tabuleiro do poder mundial.
Não há dúvida.
Juntando-se o casal caloteiro que está levando a Argentina de novo para o buraco, com o cocaleiro desvairado que inflacionou o preço da energia no continente, aliado com o golpista venezuelano que inventou e está exportando seu método de chantagear a democracia, seguido pelas marionetes sub-bolivarianas paraguaia e equatoriana, reforçados pelo Padinho Ciço brasileiro, que acende uma vela aos demônios do mercado e outra aos santos guerrilheiros das Farc, não há como duvidar que a América do Sul vai dar trabalho.
Vai dar trabalho aos sul-americanos.
E certamente o tabuleiro do poder mundial vai se mover – para bem longe daqui.
* A charge veio lá do blog da Marta Bellini, professora da UEM.
Holy crap! A campanha de Hillary Clinton atingiu o nível máximo de demência e desespero. Depois de comparar o caso dos votos não contados da Flórida com as atuais eleições no Zimbábue, hoje ela afirmou que deve continuar na disputa democrata porque, uhm, Bobby Kennedy foi assassinado apenas no mês de junho, durante as prévias da Califórnia, em 1968.
Ok, ela quis trazer um fato histórico conhecido para lembrar que muita coisa pode rolar até o fim de junho, mas não havia exemplo menos inconveniente?
O que ela disse: "Meu marido (Bill Clinton) não estava seguro de obter a indicação em 1992 até que saiu vitorioso nas primárias da Califórnia em meados de junho, não foi isso? Todos se lembram do assassinato de Bobby Kennedy em junho na Califórnia."
Atualização -- 24/05 às 15h10: Esse caso do comentário sobre Bobby Kennedy é uma boa oportunidade pra perceber que às vezes não importa tanto o que é dito, e sim quando é dito (aqui, a meu ver, mais pelo momento da campanha do que pelas notícias sobre Ted Kennedy, mas também isso). Em uma entrevista à revista Time em março, Hillary levantou exatamente o mesmo ponto para defender sua continuação na disputa. Ninguém deu um piu. Ela faria novamente o mesmo comentário no começo deste mês. Ontem, a questão se transformou no tema mais comentado (e criticado) da mídia americana.
Hillary pediu desculpas. Aos Kennedy, e não a Obama -- porque isso seria admitir que o objetivo do comentário era levantar o medo de que seu rival, o primeiro candidato negro com chances reais de chegar à Casa Branca, pode ser assassinado. Uma questão bastante discutida entre os eleitores negros no início das primárias: muitos não queriam apoiá-lo justamente por temerem pela sua vida.
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