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Domingo, 06/07/2008
Credo! Estou assustada com as notícias sobre a violência; elas sempre provocam em mim uma atitude de repulsa, porque sou uma pessoa de paz. Não entro em briga, nem incentivo qualquer violência, nem a verbal da qual conheço os fatores desencadeantes, mas os últimos acontecimentos têm me alterado o ânimo - e, você prezado leitor? Considera tudo muito normal? Eu não. É preciso dar um BASTA nessa seqüenciada ciranda de agressões.
Benett

Bater em um cachorro até deixá-lo agonizante, estapear uma criança de 2 anos para ‘educá-la’, atirar um bebê de 8 meses da janela do 6º andar de um apartamento, entregar três jovens negros aos traficantes cariocas para que dessem um ‘ susto’, entre outros tristes episódios mais parece uma sessão tortura, principalmente aos que gostam da paz.
Ando assustada desde a terça-feira de carnaval quando aquele misterioso incêndio , no velho prédio da Tuiuti, colocou minha rua nas manchetes dos jornais e na internet. A Marcelino Champagnat - antes cheia de vivacidade com aquele vai-e-vem de veículos e sobretudo dos jovens universitários ! - perdeu grande parte da sua característica com a desativação das aulas no tradicional prédio amarelo, parcialmente em ruínas. Hoje, já à tardezinha, a rua perde o que ainda resta da sua alegria e os velhos cinamomos com seus enormes troncos e galhos parecem fantasmas gigantescos na escuridão. O diminuir das vozes estudantis, do fonfom das buzinas e lusco-fusco dos poucos faróis dos veículos evocam a saudade daquela movimentação outrora cheia de vida. Foi em razão dessa escuridão que dia desses um espertinho entrou em uma das casas da vizinhança e colocou as poucas famílias que aqui residem em pânico. A violência nos espreitou e nos deixou reféns do medo.
Christian Rizzi/Gazeta dp Povo

Geralmente peço aos jovens vestibulandos que localizem nos jornais e revistas as notícias sobre vários temas, entre eles a violência e seus descobramentos. Encontramos, infelizmente com muita facilidade , registros de agressão familiar, do desrespeito às minorias, da violência verbal, das agressões no trânsito, das ações em ataque ao meio ambiente entre uma multiplicidade de sub-temas ligados ao assunto. Os jovens rapazes e moças, mal saídos dos seus 15 ou 16 anos , ficam surpresos com a ilimitada ciranda de atos de violência recontados em reportagens investigativas, estampados nas manchetes, evidenciadas nas charges e nos textos opinativos.
Examinar, portanto, os fatos tematizados pela mídia impressa e refletir sobre as suas causas e conseqüências já é um primeiro passo para compreendê-los e não aceitá-los mais. Muitos jovens nem se dão conta de que a violência ronda nossas vidas como um fantasma ameaçador. É preciso, sem perda de tempo, obstá-los com a educação dos sentimentos, com o rigor das leis, a oportunização de melhorias das condições sociais e a consciência da gravidade das consequências danosas à sociedade e ao meio ambiente.
Uma sugestão para exercitar a leitura e a escrita do vestibulando
Examine a reprodução do texto abaixo e articule às suas observações sobre o tema para redigir um parágrafo opinativo. Seu desafio, portanto, é responder: POR QUE A VIOLÊNCIA URBANA CONTINUA?
Limite-se a 12 linhas e capriche na argumentação. Apoie-se, por exemplo, na intertextualidade , na enumeração de motivos ou ainda na exemplificação para firmar com maior poder de expressão as sua idéias sobre o assunto.
Dono de lan house é morto em Colombo
É o terceiro caso que termina em morte em crimes envolvendo comerciantes na região metropolitana de Curitiba em dois dias
Dono de uma lan house foi morto com um tiro no peito na noite de quinta-feira, (3) em Colombo, na região metropolitana de Curitiba.
Segundo a Polícia Civil do Alto Maracanã, que investiga o caso, há cerca de quatro meses, Carlos Eduardo dos Santos, de 31 anos, vinha registrando boletins de ocorrência sobre roubos e furtos no estabelecimento. Apesar disso, a polícia afirma que ainda não se pode relacionar as denúncias com o homicídio, pois ainda não há pistas sobre os responsáveis pelo assassinato.
Outros casos
Este é o terceiro caso que termina em morte em crimes envolvendo comerciantes na região metropolitana de Curitiba em dois dias. Na noite de quarta-feira (2), um assaltante foi morto e três pessoas, entre elas um policial militar, foram baleadas durante troca de tiros em frente a uma farmácia, no bairro Santa Cândida, em Curitiba.
Na mesma noite, um dos proprietários da rede de postos de combustíveis Cupim foi assassinado no pátio do posto localizado na BR-116, em Campina Grande do Sul. Antônio José de Bortoli, 68 anos, foi rendido por três homens armados e encapuzados e, segundo a polícia, teria reagido, sendo em seguida atingido por três tiros – um na cabeça e dois no abdômen. Os assaltantes fugiram sem roubar nada.
(GP online/ 4/7/2008- Célio Yano)
Observação: a ilustração do cachorro acima foi retirada do blog da Gazetinha; o talentoso Benett empresta ao Punkadinha a verdade do seu discurso franco e descontraído.
A proposta de um piso salarial nacional de R$950,00 para os professores que trabalhem 40 horas semanais na rede pública foi aprovada ontem à noite - e segue agora para sanção do Presidente Lula; dá para comemorar um pouco, principalmente porque essa era uma antiga reivindicação da categoria. Se aprovado o projeto o valor chegará aos contracheques apenas em 2010, portanto a alegria já tem data marcada. No projeto há a previsão de complementação da União para os estados que não atingirem o piso nacional. A explicação? Pisos salariais diferentes para a categoria.
Eu gostaria muito de poder contar com um comparativo entre os salários dos professores por município paranaense e também por capitais brasileiras – e você, prezado leitor? Quanto ganha atualmente um professor das séries básicas do ensino fundamental? Qual a diferença em valores reais entre o que paga a escola pública e a particular? Quanto ganha um professor por hora de aula? Há incentivo financeiro diante de aprimoramento acadêmico? Há uniformidade de remuneração por hora de aula de qualquer disciplina? Aula de Inglês é mais cara do que aula de Português, de Matemática ou Educação física? Qual o fator regulador dos valores diferentes para cada município ou estado brasileiro? Leitores e pais de alunos teriam melhores condições de avaliação e de comprometimento com os mediadores do ensino se essas informações aparecessem claramente nos jornais e nas revistas.
Jonathan Campos - Gazeta do Povo

Seria muito útil dispor de vários infográficos que comparassem dados sobre a remuneração do professor do ensino fundamental e médio. Saber as minúcias da representação de cada hora de trabalho em $ seria muito interessante. Esses pontos aguçam a minha curiosidade de leitora e professora autônoma; se respondidos eles cairiam como uma luva na mão dos meus alunos para que tivéssemos maior poder informativo. Aliás, é preciso reconhecer cada vez mais o auxílio poderoso à leitura proporcionado pelos infográficos. Você já notou como articulam objetivamente as informações?
Costumo selecionar, recortar e reproduzir a maioria dos infográficos disponíveis pelos jornais e revistas. Sabe para quê? Colocá-los como textos de apoio à disseminação das análises temáticas. São excelentes para conferir a capacidade de resumir dados, apontar fontes informativas, além de constituir um divertido quebra-cabeça, a partir dos variados ícones que articulam o colorido das tabelas, as figuras, as colunas, os percentuais, etc.
Sugestão de escrita aos vestibulandos:
1- Leia o texto " CCJ do Senado aprova piso de R$950 para professor "(GP online, 2/7/2008) e elabore uma carta ao Presidente Lula reivindicando a sanção do projeto que estabelece piso salarial único para todos os professores da rede pública, que exercem suas funções nas primeiras séries do ensino fundamental. Limite-se a 18 linhas e mantenha a linguagem bem cuidada. Atente ao uso adequado dos pronomes e não esqueça dos elementos convencionais de uma carta longa e formal.
2- Escreva à editoria da Coluna do Leitor solicitando a divulgação da relação de nomes dos componentes das Comissões de Educação e de Constituição e Justiça para visualizar, de fato, quem faz a defesa das condições justas de remuneração aos professores brasileiros do Ensino Fundamental. Limite-se a 6 linhas e inicie a carta com “Senhor editor:”; não descuide da linguagem e evite expressões clichês.
Sempre dei maior importância às pessoas que fazem a diferença na vida. Gosto das que lutam diante das adversidades, das que inventam soluções para os problemas e das que reduzem a magnitude das aparências e estimulam a essencialidade dos gestos, do caráter integro e das intenções em prol dos demais. Nunca fiquei decepcionada ao agir assim - e você, amigo leitor?
À revelia de tudo que vejo e sinto diariamente, continuo privilegiando a essencialidade das pessoas, seus feitos e suas virtudes, pois quem é verdadeiramente competente mais cedo ou mais tarde vê-se destacado naquilo que faz de melhor em vida - e aquele velho ditado " A justiça tarda , mas não falha" continua prevalecendo, mesmo à ocasião dos obituários.
Gosto de evidenciar os feitos das pessoas verdadeiramente virtuosas, mas quando estão vivinhas da silva, entre nós - e desfrutando das bondades e recompensas da existência. Não hesito em destacar-lhe os predicativos e o trato que oferecem aos textos, aos alimentos, ao manuseio de objetos e, principalmente, da capacidade inventiva que expressam diante do mundo e seus problemas. São pessoas descomplicadoras e fazedoras do bem aos demais.
E, hoje, em meio a tantas notícias tristes, um destaque jornalístico foi extremamente oportuno: a de que a população de Japira (PR) prestou homenagem ao cartunista Paixão. A notícia está no Caderno de Classificados, p. 7, da GP.
O Paixão por ele mesmo - Arquivo GP

A cidade de Japira merece os parabéns, pois o cartunista Paixão é mesmo uma criatura talentosa. Eu não o conheço pessoalmente, mas avalio que pelo conjunto da sua obra, diariamente presente nas páginas da Gazeta, ele é uma pessoa imprescindível ao Paraná e ao mundo. Merece destaque, prêmio e muuuuito carinho do público . Será que alguém recorda da série Paixão por Curitiba, encartada nas edições da Gazeta? Um trabalho de amor e carinho por esta querida cidade, sem dúvida. Olhe ai embaixo um exemplo de um dos encartes. O belo prédio da Ufpr foi imortalizado pelo traço primoroso do Paixão.
Paixão/ GP - Série Paixão por Curitiba

Sugestão ao vestibulando:
Redija uma breve narrativa, de 12 a 15 linhas, que ilustre a vida de uma simpática figura que você conhece. Dê-lhe o destaque merecido. Considere como exemplo o que costumeiramente aparece nos obituários: o realce ao feitos da pessoa em vida, o que, convenhamos, bem que poderia ter sido alardeado em justa homenagem antes de sua morte.
Para facilitar a sua tarefa de escrita leia o obituário de CRESO MORAES( GP, Obituário, 2/7/2008, p. 6):
"Talvez tenha sido por um inconformismo natural, talvez por acreditar na possibilidade de mudanças, talvez por se sentir responsável. O fato é que o jornalista Creso Moraes trabalhou em favor de tantos grupos que precisavam de ajuda(...).
Provavelmente só a esposa Christianne e os filhos poderiam rastrear corretamente a movimentação deste londrinense para ajudar crianças e idosos carentes para apoiar trabalhos de recuperação de dependentes, para conseguir ajuda necessária a portadores de deficiências. Há dois anos, Creso foi para a frente do Guaíra para protestar contra o reajuste de 90% que a Assembléia Legislativa pretendia aplicar aos vencimentos dos deputados ( os eleitos estavam sendo diplomados no teatro). Quem trabalhou com ele em uma campanha não sabia das outras. Seus clientes e colegas jornalistas tampouco tinham conhecimento de tudo o que Creso fazia nas horas vagas, quando não estava com os filhos ou tocando a Enfoque, sua empresa de comunicação corporativa, criada há 30 anos. Embora filho de pais humildes, estudou nos Estados Unidos, graças a uma bolsa. Na volta, trabalhou nos jornais Diário do Paraná e Folha de Londrina. Retornou aos EUA , para estudar relações públicas e, novamente no Brasil, deu novo rumo à sua vida profissional. Sua gentileza e correção eram destacadas por seus colegas de profissão. Deixa esposa e cinco filhos.
Dia 01, aos 58 anos, de câncer no pâncreas."
Caso você, meu jovem vestibulando, atravesse dificuldades para atender às propostas de redação dos cursinhos ou mesmo do colégio é melhor procurar acompanhar o noticiário com maior regularidade. Jornais e revistas são eficientes companhias, não apenas aos “velhos” leitores, mas sobretudo aos que não estão ligados na leitura qualificada dos editoriais, colunas, reportagens, infográficos e charges, entre outros tipos de textos e fontes informativas.
Um dos objetivos da correção das produções de textos solicitadas nos vestibulares é conferir a adequação à proposta solicitada, mas principalmente examinar o grau de conhecimento temático do candidato e a sua capacidade em articular conhecimentos através da língua escrita.
Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo

Atribua-se nota de 1 a 10 ao que você conhece sobre os temas comumente presentes nos vestibulares, tais como: violência, dependência às drogas, comportamento, conflitos culturais, ecologia, desemprego e educação, entre outros; se os números estiverem inferiores a 5(cinco) é melhor adotar a dieta informativa que tenho oferecido aos meus alunos para vencer a pobreza com relação às notícias. Sabe quais os ingredientes?
>Leitura diária dos editoriais
>Análise das charges
>Colunas especializadas
>Reportagens investigativas
>Análise das cartas dos leitores.
Esse quinteto costuma qualificar o padrão informativo dos estudantes que torcem o nariz e reclamam bastante quanto às exigências de conhecimento temático para bem atender às redações das propostas. As conversas com gente bem informada também não poderão ficar de fora , porque trocar idéias com outras pessoas é , meu jovem estudante, uma das mais satisfatórias formas de aprendizado.
Tiago Recchia /GP /30 de junho de 2008

Sugestões de hoje:
1 - Considere a charge do Thiago Recchia, o texto relatando o acidente no trânsito, a foto de Aniele Nascimento e o que você já sabe sobre restrições à dupla beber& não dirigir para formar uma opinião sobre o assunto. A lei seca, mal entendida pelos que são extremamente concessivos ainda vai render muita conversa e sofrimento, principalmente, se todos nós não nos mobilizarmos para combater a imprevidência no trânsito, em razão da ingestão de álcool. A sua tarefa, meu caro estudante, é reunir informações e ficar tinindo sobre o assunto. Escreva um texto de opinião, cujo título seja: Bebida & Direção de veículos; limite-se a 10 linhas e articule os elementos informativos indicados acima.
2- Leia , examine e aproveite bem o Simuladão da 1ª fase da UFPR preparado para você. Ele está no Caderno Estudante/Vestibular, encartado na Gazeta do Povo de hoje; imperdível!
Uma ótima reflexão a todos.
Tenho absoluta certeza de que o prezado leitor concordará comigo. Ninguém conseguirá fugir das necessidades de resumir qualquer fato ou circunstância. Seja diante das contingências da oralidade, seja diante da escrita formal ou informal – e para vencer o desafio o estudante e o profissional necessitam apreender a essencialidade das informações presentes no que têm para resumir. Destacar-lhe objetivamente a idéia principal, as secundárias e registrar a fonte dessas informações, o que significa apontar a autoria e lugar de publicação ou contexto do evento.
Quer um exemplo de resumo? Acompanhe.
Na expressão das idéias há sempre um trio trabalhando em favor da lógica: o conhecimento do assunto, uma tese e um movimento argumentativo. Conhecer bem determinado tópico requer apanhado informativo suficiente para estabelecer conexões sobre o tema, geralmente polêmico. Firmar uma idéia é defendê-la, mas para que tal aconteça é necessário argumentar, o que significa mobilizar argumentos, motivos assentados em exemplos, citações, comparações, dados numéricos, ilustrações, etc. – e, para finalizar a defesa de uma idéia é preciso concluir, arrematar com lógica essas inferências sobre o assunto.
Muita gente aposta todas as fichas na explanação das suas observações, pois a partir delas conquista-se crédito, aceitação e reconhecimento, mas é imprescindível separar o joio do trigo , pois a linguagem humana permite enganos, ilusões verbais chamadas de falácias. É preciso ouvir e analisar bem as intenções de quem argumenta para que não se caia na conversa bonita, sedutora, mas de intenção disfarçada, enganosa.
A linguagem é dinâmica, mas sujeita, meu prezado leitor , ao movimento empreendido pelas manobras intencionais de quem dela faz uso , daí a lábia do político, do apelo presente na publicidade e das relações confusas entre pessoas. Manter atenção na intenção do interlocutor é um ato de linguagem de apurado cuidado. Leitores e produtores de textos, políticos e eleitores, vendedores e clientes, professores e alunos, pais e filhos e uma série de outras duplas costumam revelar significativas informações quando expressam idéias. É preciso, portanto, percepção apurada, o que se desenvolve com a experiência e com o estudo, seja ele acadêmico ou da escola da vida.
Quer um exemplo de argumentação bem feita? Acompanhe.
O conhecimento apurado de um assunto permite ao falante ou ao produtor de texto a explanação vivaz e qualificada de um determinado ponto temático. Interlocutores atentos reconhecem imediatamente o domínio conceitual e o trânsito à vontade de quem é especialista no assunto. Além da natureza da linguagem, a posse das informações e a construção didática das explanações permitem o aprendizado e o amealhar informativo. Palestras, aulas e textos explanatórios exemplificam muito bem a dissertação. Valendo-se dos recursos da argumentação aquele que disserta mostra o seu gabarito informativo, assentado indiscutivelmente na acumulação de conceitos, exemplos, intertextualidade e capacidade de discorrer com extrema segurança sobre o tema de sua especialidade.
Felipe Lima

Jovens estudantes costumam sentir extremo desconforto para argumentar e dissertar. A razão? Pouca leitura e imaturidade para administrar informações. Cabe, portanto, à escola proporcionar oportunidades de reflexão e discussão de temas. Cabe também à família , reduto das primeiras e decisivas experiências , a semeadura constante do edificante hábito da conversa, da troca de idéias.
Ler, ao menos, uma edição de jornal ou revista, acompanhar o noticiário local e nacional pela tevê e participar da interatividade promovida pela internet, além das insubstituíveis conversas em família e entre amigos qualificarão gradativamente o manejo das técnicas dissertativas. Sem a munição informativa e a compreensão da estrutura desse tipo de texto, extremamente didático, a dissertação deixará a desejar.
Quer um exemplo de dissertação? Acompanhe.
Segue uma proposta de exercício textual para você, meu prezado vestibulando. Foi uma das redações aplicadas pela UTFPR, no vestibular de janeiro de 2006.
" Leonel Brizola teve , nos funerais, o que lhe faltou em votos nas últimas vezes em que disputou eleições. Na morte , reencontrou as multidões, os elogios e as adesões que cada vez mais lhe iam escasseando em vida. Tudo lhe refluiu a favor. A personalidade autocentrada, que abria pouco espaço para o diálogo, virou apenas um lado pitoresco, mais um, do conviva encantador. O tédio pelo discurso repetitivo deu lugar ao louvor da coerência. E o velho chavão de que 'vai fazer falta' foi aplicado mesmo por quem, até horas antes, o tinha por político ultrapassado, atolado em alguma remota década do século passado. Curioso é o povo brasileiro. Odeia políticos, como comprovam as pesquisas de opinião. E no entanto devota a eles funerais memoráveis."
(Revista Veja, p. 126,30/06/2004,Renato Pompeu de Toledo)
Refletindo sobre o texto dado, elabore um texto dissertativo, entre 8 e 10 linhas , levantando hipóteses sobre por que motivos, em nossa sociedade , os indivíduos , após a morte , são valorizados, venerados e qualificados , até por quem os criticava.
Após concluir seu texto, transcreva-o de forma definitiva, para a Folha de Redação, usando caneta. "
A escola é um edifício com quatro paredes e o amanhã dentro dele.
( George Bernard Shaw)
Hoje quero compartilhar com o leitor um pormenor importantíssimo: sempre estudei em escolas públicas. Os primeiros anos em grupo escolar, depois no ginásio e na escola normal - e nos anos de universidade no campus da UFPA e na Unicamp. Conheço de perto a realidade vivenciada pelo aluno da escola de antes e também a de hoje. Trabalhei em escolas públicas e particulares e agora, em plena maduridade profissional, contribuo , na condição de autônoma, à formação e aprimoramento da leitura e da escrita. Ganho o " meu pão " lendo e escrevendo e mediando leituras e produções de textos. Ainda é pouco, eu sei, mas na minha condição de aprendiz permanente ainda chegarei lá, com certeza.
Albari Rosa

No ano passado troquei uma breve correspondência com o jornalista Clóvis Rossi, este sempre amável e receptivo aos meus contatos de leitora atenta. Ele também foi aluno da escola pública paulista e uma série de conhecidas pessoas públicas e anônimas, igualmente , vestiu o tradicional uniforme azul e branco e se orgulhou da condição de escolar naquela instituição " forte" , como era conhecida a escola pública de quatro ou cinco décadas atrás. Em uma das suas colunas, Rossi diz que: "(...) está levando tempo demais para 'qualificar 'a escola pública. Na verdade, requalificar, porque sou filho da escola pública e no meu tempo a excelência era dela, não do ensino privado."(FSP,29/11/2007). Quem participou da escola desse tempo dará razão ao jornalista, mas a maioria dos jovens, infelizmente, não saberá avaliar, em razão do desconhecimento histórico que tem da educação pública.
Talvez o jovem leitor de hoje pergunte qual a razão de nos orgulhamos tanto dessa escola de antes. Pois bem, farei uma listinha ilimitada - e peço também a oportuna contribuição dos leitores mais amadurecidos, ex- alunos, quem sabe egressos do Colégio Estadual do Paraná, do Júlia Vanderley, do Instituto de Educação, da Universidade Federal do Paraná, do antigo Cefet( hoje Utfpr), entre outros estabelecimentos deste querido estado paranaense.
>Da certeza de tudo que encontrávamos na escola: segurança, informações, mestres dedicados e uma promessa viva das nossas possibilidades na sociedade;
>confiança no conteúdo ministrado;
> educação ao respeito ( aos pais, à família, à história , aos simbolos da pátria e à vida)
Marcelo Elias/Gazeta do Povo

Pense comigo: por que a escola particular bem administrada vai longe, inclusive economicamente? Por que há um projeto definido: vencer as dificuldades e para esse mister valem todas as implementações necessárias e há ainda a figura do patrocinador econômico, que paga , mesmo com inadimplências, a mensalidade escolar. Administrar a " coisa pública" , infelizmente , parece render pouco tanto para o administrador quanto para o seu mais interessado consumidor: o usuário do sistema público, habituado a não fiscalizar, a não cobrar resultados do bom emprego das verbas `destinadas à educação, entre outras esferas.
Olhemos a escola pública com maior atenção. Não deixemos que o interesse político supere a necessidade de boa escola para nossas crianças, jovens e adultos, que a cada ano sentam nas carteiras escolares para receber ensinamentos à formação integral. Quem conheceu a boa escola pública não fica nunca satisfeito com o que vê e lê nos noticiários, quer sempre mais e melhor com certeza. " Os tempos são outros" , dirão alguns. Sim, outros tempos, outras contingências, outros valores , entretanto, é tempo de maior atenção e de fiscalização da " coisa pública". Leitores e eleitores atentos farão a diferença em qualquer instância - será que alguém duvida?
Uma sugestão ao vestibulando
Vez por outra encontro alunos com dificuldades à escrita e lhes ofereço amostras do fotojornalismo para que descrevam o que percebem nas imagens. Funciona como engate de um processo, felizmente, exitoso. Pois bem, sugiro ao jovem vestibulando, foco também desta página, que produza um parágrafo oferecendo continuidade à narrativa abaixo. Utilize-se da descrição de uma das fotografias que ilustram a postagem de hoje e das informações que reúne sobre o ambiente escolar; funcionarão como materiais de apoio. Limite-se a 10 linhas e ofereça um título ao seu texto.
A professora Maria Luiza iniciava sempre as suas atividades diárias na escola fazendo a correção da tarefa de casa - e costumava chamar um aluno para ir até ao quadro-de-giz. Não mantinha qualquer semelhança metodológica com o professor Policarpo, o severo personagem machadiano , de o " Conto de Escola ", entretanto, estava sempre centrada na função de ensinar às crianças os conhecimentos necessários ao 3º ano.
Oi isso aqui tá muito bom / isso aqui tá bom demais/ Oi isso aqui tá muito bom / isso aqui tá bom demais...
Eu adoro as festas juninas e tenho certeza de que muita gente enfrenta com alegria os festejos que concelebram a boa safra dos deliciosos produtos do campo. Saborear o milho assado, a pamonha, a pipoca, comer pinhão e conversar, sacolejar o corpo sob o comando da música animada, acompanhar com os olhos o cadenciado repetitivo da quadrilha , repetir o quentão e aproveitar uma noite entre amigos e familiares para apreciar uma das mais populares manifestações culturais é um excelente programa, mas ninguém - pelo menos o trabalhador que luta para ganhar o pão de cada dia - faz um recesso tão grande para aproveitar as manifestações da cultura, exceto os nossos parlamentares.
Paixão /GP / 24 / 6/ 2008

A charge do Paixão é um retrato vivo das manobras parlamentares para arranjar uma folguinha e ajeitar uma festinha , a qualquer preço. Pois bem, vamos, então, meu prezado leitor, especialmente o vestibulando treinar a redação de uma comparação entre a cena retratada pelo cartunista e a que guardamos na memória sobre as festas juninas, que acontecem comumente nos colégios, nos sítios e especialmente nas cidades do interior, muitas vezes , único reduto de autêntica representação dessa manifestação cultural. Limite-se a 8 linhas e mantenha a objetividade para não ultrapassar o combinado.
Lembre-se: comparar é estabelecer contrastes, localizar semelhanças e diferenças - e , finalmente , encontrar uma conclusão que arremate a lista de pontos divergentes e convergentes sobre o tema analisado.
Uma excelente terça-feira a todos !
Toda atitude que articule um passo a mais em favor da educação de crianças, jovens e adultos na escola, especialmente a pública, será sempre uma boa notícia. Educação é assunto sério; merece atenção, informações e acompanhamento criterioso de toda a sociedade.
Diagnósticos educacionais obtidos através das avaliações são apenas reflexos e apontarão metas a alcançar, são meios eficazes de perceber equívocos, acertos e necessidade de mudanças estratégicas. São válidos, sempre, principalmente se confiáveis.
Valterci Santos/Gazeta do Povo

Ontem o MEC liberou informações sobre o desempenho das crianças por capitais; na medição do Ideb, o Indice de Desenvolvimento da Educação Básica de 2007 , você poderá ler na Gazeta do Povo de hoje que " Curitiba tem melhor nota entre capitais na educação" . Clique aqui para saber maiores detalhes.
A nota obtida pelas crianças ganhou destaque, mas ainda poderá alcançar número maior, que reflita qualidade. Seria muito bom se a reportagem acompanhasse mais de perto as estratégias utilizadas pela comunidade escolar da Escola Municipal São Luís, no bairro da Água Verde, para alcançar o êxito destacado na lista por capitais. Poderá render uma pauta muito boa saber como é a composição das turmas, o perfil dos professores, a regularidade das tarefas escolares, a metodologia da lição de casa, o que lêem as crianças e a rotina encarada durante o turno escolar, inclusive as condições do espaço físico, dados sobre a biblioteca, o momento do recreio, etc. Bons exemplos servirão para que as demais escolas municipais e estaduais possam acertar o passo.
O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), divulgado na sexta-feira , foi criado pelo MEC combinando índices já existentes: rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e médias de desempenho. As taxas de rendimento são aferidas pelo Censo Escolar da Educação Básica, e as médias pelo Saeb e pela Prova Brasil, avaliações realizadas pelo governo para diagnosticar a qualidade dos sistemas educacionais.
Sugestão
Aproveito para sugerir ao vestibulando a redação de uma análise comparativa das informações abaixo( GP, Vida e Cidadania, 21/6/2008). Limite-se a 10 linhas e mantenha linguagem objetiva, sem esquecer a indicação da fonte das informações.
Capital Ideb 2005 ideb 2007
1º Curitiba/PR 4,7 / 5,1
2º Campo Grande 4,0 / 4,9
3º Brasília/DF 4,5 / 4,8
Belo Horizonte/MG 4,6/ 4,8
4º Florianópolis/SC 4,0 / 4,6
Rio de Janeiro/RJ 4,3/ 4,6
5º São Paulo/SP 4,3 / 4,4
Palmas/TO 4,1 / 4,4
E você tem uma boa notícia sobre práticas educativas? Participe. Compartilhe boas notícias sobre quem tenha contribuido à melhoria do ensino, não apenas municipal, mas estadual e federal - e , seja bem-vindo à página.
A continuidade de textos é uma das exigências nos vestibulares concorridos. Para vencer o desafio é imprescindível identificar o nível lingüístico utilizado pelo autor na explanação do assunto. Como saber se o que você escreveu atende às diretrizes dessa proposta? Examine cuidadosamente o inicio oferecido e o acréscimo que você fez - em geral de um parágrafo ou dois; se apresentar semelhança de estilo, como se fosse a mesma pessoa que tivesse escrito, você pode comemorar, porque o primeiro passo foi dado.
Benett - www.gazetadopovo.com.br/blog/salmonelas

Transcrevo abaixo excertos sobre temas variados. Sugiro que você produza um parágrafo compatível para cada menção; tenha a mais absoluta certeza, meu prezado leitor, de que funcionará como um bom e eficiente exercício de escrita, além, é claro, um modo de ficar bem informado e conhecer outros pensamentos muito interessantes. Não exceda as 8 linhas. Um detalhe: incluí ilustrações apenas para oferecer maior dinâmica aos trechos selecionados.
Árvores
Reprodução

As árvores da Alameda Princesa Isabel, da espécie cinamomo, são muito antigas, não se prestam para ornamento de rua, pois desde março já perderam as folhas e ficam assim por muitos meses, quase até o final do ano. A alameda fica com a aparência muito triste, com aqueles troncos pesados, desnudos. A sugestão é para substituí-las por acácias, com ramagem sempre verde e suas flores, em cachos amarelos são lindas e permanecem por longo período. Outra sugestão seriam as sibipurunas também de porte médio, sempre verdes e com flores amarelas, em forma de cone, com matiz marrom na extremidade, muito comuns nas cidades do Norte do nosso estado.
( Hasdrubal Vieira, de Curitiba – Coluna do Leitor, GP, 12/4/2007)
Puxa-puxa
Antonio Costa/Gazeta do Povo

O que há de errado nas novelas de TV é que os amores, os ciúmes, os ódios, os sentimentos são muito compridos... esticados que nem puxa-puxa...quando na vida real não há tempo para isso – mas é por isso mesmo que os espectadores as adoram.
( Mário Quintana – A vaca e o hipogrifo, L&PM, p.123 )
Festa junina, folia de impostos
Sérgio Bastos - www.belemetemdisso.com.br

Junho é época de festa junina e muito imposto. O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) acaba de divulgar um estudo sobre os tributos que o brasileiro paga ao consumir os produtos típicos da época. A mordida maior fica por conta da cachaça, que tem 81% de imposto embutido.
(...)
Vendo os números, fica difícil imaginar que estamos em tempos de recriação da CPMF. Ah, só para lembrar, a Câmara dos Deputados também está na reta final da discussão da reforma tributária proposta pelo governo. O projeto original prevê apenas uma simplificação do sistema de cobrança, sem desoneração.
Abaixo, o quanto de imposto está embutido nos produtos típicos das festas juninas:
Amendoim - 36,54%
Cachorro quente - 15,28%
Canjica - 35,38%
Cerveja (lata) - 54,80%
Cocada - 36,54%
Fantasia - 36,41%
Milho cozido - 18,75%
Paçoca - 36,54%
Pé de Moleque - 36,54%
Pinhão - 24,07%
Pipoca (milho) - 34,82%
Quentão - 61,56%
Refrigerante (lata) - 45,80%
Vinho - 52,50%
Camisa Xadrez - 34,67%
Cachaça - 81,87%
Fogos de artifício - 61,56%
Fósforos - 33,87%
(André Gonçalves, blog Conexão Brasília )
Até a próxima! Uma excelente sexta-feira para todos!
Estou ainda lamentavelmente presa a uma forte gripe, impedimento que nesses últimos dias criou obstáculos à manutenção da página , mas listo abaixo dois assuntos merecedores da extremada atenção do leitor. Vale aqui, também, a sugestão aos vestibulandos para que atentem , igualmente , às propostas de produção de texto a eles articuladas.
Frio
Jonathan Campos/Gazeta do Povo

O atendimento de urgência e emergência pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está no limite em Curitiba e região metropolitana (RMC). Os hospitais Cajuru, Evangélico e do Trabalhador operam acima da capacidade. Em alguns momentos do dia, os hospitais pedem ao Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e ao Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência (Siate) que não encaminhem pacientes graves. Segundo administradores dos três hospitais, se um paciente chegar ao pronto-socorro, é bem possível que tenha de entrar na fila de espera.
(GP,16/6/2008,Vida e Cidadania)
O leitor atento certamente não deixou de apreciar as belas fotos sobre o frio na região; elas encantam e surpreendem o Sudeste, o Centro oeste, o Nordeste e o Norte do nosso país , mas infelizmente não mostram o outro lado, o do cenário de enfermidades, carências e prejuízos desencadeados pelas mudanças climáticas. Pois bem , a partir das informações recentes sobre o tema da saúde, redija um
apelo, em forma de carta a um jornal( máximo de 8 linhas) solicitando às autoridades para que o atendimento nos postos de saúde comporte a demanda, especialmente diante das baixas temperaturas. Mantenha objetividade e linguagem ajustada aos padrões da norma culta.
Solidariedade
Pancho / GP/ 17 de junho

Em tempos de crise não basta apenas atentarmos às proprias necessidades, mas também estendermos o nosso olhar pelo entorno. Muita gente sofre com a falta de abrigos, de calçados, de alimentos, de solidariedade. Cobertores, calças e camisas de lã , gorros, meias e alimentos ajudam a minorar o sofrimento de muitos, concorda? Você conhece algum lugar que esteja recebendo doações? Pois aproveite o espaço para relatar onde e como essas doações poderão ser entregues.
Redija uma chamada apelativa, sob forma de um cartaz, semelhante ao que faz a publicidade. Vestibulandos deverão lembrar que a redação de textos apelativos poderá ser exigida durante a prova de redação. Vale o treino com uma situação real, próxima de nós.
Sugestões:
1-Não deixe de ler a Revista da Semana, que faz ótimo apanhado informativo.
2- Coloque o blog do André Gonçalves como um dos seus favoritos; gosto de acompanhar o estilo ágil e certeiro desse jovem jornalista.
3-Leia a entrevista com o Ministro da Saúde.
Uma excelente terça-feira ao prezado leitor; eu, confesso, já ficarei muito feliz se este período de gripe estiver no fim, pois assim retomarei à normalidade das minhas atividades cotidianas.
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