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O câncer de mama não tem apenas causas genéticas; existem outros fatores de risco relacionados ao desenvolvimento da doença. Por isso, é fundamental se informar sobre esses fatores para agir preventivamente. Afinal, a luta contra a doença começa com a conscientização. Veja, a seguir, quais são os principais fatores de risco associados ao câncer de mama:

Fatores ambientais e comportamentais
  • Obesidade e sobrepeso após a menopausa;
  • Sedentarismo (não fazer exercícios);
  • Consumo de bebida alcoólica;
  • Exposição frequente a radiações ionizantes (raios-x).
Fatores da história reprodutiva e hormonal
  • Primeira menstruação (menarca) antes de 12 anos;
  • Não ter tido filhos;
  • Primeira gravidez após os 30 anos;
  • Não ter amamentado;
  • Parar de menstruar (menopausa) após os 55 anos;
  • Uso de contraceptivos hormonais (estrogênio-progesterona);
  • Ter feito reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos.
Fatores genéticos e hereditários
  • História familiar de câncer de ovário;
  • Vários casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos;
  • História familiar de câncer de mama em homens;
  • Alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2.

*A mulher que possui um ou mais desses fatores genéticos/ hereditários é considerada com risco elevado para desenvolver câncer de mama.

Fonte: INCA

 

FATORES AMBIENTAIS E COMPORTAMENTAIS:


1. Tanto o sobrepeso (IMC entre 25 e 30) quanto a obesidade (IMC maior que 30), após a menopausa, aumentam consideravelmente o risco para o desenvolvimento do câncer de mama. Isso ocorre porque as células de gordura funcionam como reservatório de hormônios e também produzem substâncias que contribuem para a proliferação das células tumorais.

2. O sedentarismo, por propiciar o ganho de peso, também está relacionado ao maior risco de câncer de mama.

3. Evidências recentes demonstram que bebidas alcoólicas, em qualquer dose, aumentam o risco de desenvolvimento da doença.

 

 

HISTÓRIA REPRODUTIVA E HORMONAL


1. A primeira menstruação antes dos 12 anos de idade, bem como a menopausa acima de 55 anos, são situações associadas a um maior risco de câncer de mama, pois expõe as células da mama por mais tempo à ação do estrogênio (produzido pelos ovários), que pode estimular a proliferação de tumores.

2. Primeira gestação acima de 30 anos, não ter filhos, ou não ter amamentado também são situações que contribuem para um maior risco ao câncer de mama.

3. Quanto ao uso de anticoncepcionais com hormônios, estão dentro dos fatores de risco tanto as pílulas quanto os injetáveis, os implantes e o DIU com levonorgestrel. Recentemente, uma grande revisão da literatura médica demonstrou um aumento discreto no risco para câncer de mama em mulheres que fizeram uso desses métodos anticoncepcionais. O risco foi relacionado ao tempo de uso e também à idade. A recomendação é rever o método anticoncepcional da mulher acima de 40 anos, principalmente se ela já apresentar outros fatores de risco para o câncer de mama.

4. Sobre a reposição hormonal durante a fase de menopausa, atualmente já foi revelado que há segurança na prescrição do estrogênio, principalmente em doses mais baixas que as utilizadas no passado. Porém, para as mulheres que têm útero intacto, ou seja, que não fizeram a retirada cirúrgica desse órgão, é necessária a proteção do endométrio (a camada interna que reveste o útero) com progesterona, além do tratamento com estrogênio. Evidências recentes indicam o uso, para essa finalidade, da progesterona natural (que tem se revelado neutra para a mama).

 

 

FATORES GENÉTICOS E HEREDITÁRIOS


HISTÓRIA FAMILIAR DE CÂNCER DE OVÁRIO: o câncer hereditário ocorre quando uma pessoa nasce com alterações ou mutações em uma cópia de um gene de controle de danos (que, normalmente, protege contra o câncer). Geralmente essas alterações são herdadas da mãe ou pai. Para o câncer de ovário hereditário não é diferente, sendo que os genes BRCA2 e BRCA1 são os principais genes envolvidos, configurando a Síndrome Hereditária do Câncer de Mama e Ovário (HBOC). O risco de desenvolver o câncer de ovário é entre 24-54% para BRCA1 e 11-27% para portadores da mutação em BRCA2. Porém, pessoas que já estão com câncer de ovário têm uma probabilidade de 25% de ter a mutação. A síndrome hereditária implica uma história familiar não somente de câncer de ovário, mas de mama em homens e mulheres, e também apresenta um risco aumentado para outros tipos de câncer, como pancreático, melanoma (câncer de pele) e próstata.

VÁRIOS CASOS DE CÂNCER DE MAMA NA FAMÍLIA, PRINCIPALMENTE ANTES DOS 50 ANOS: quando verificamos uma história repetitiva familiar de câncer de mama antes dos 50 anos com perfil triplo negativo, ductal e bilateral, devemos ficar atentos! Pode se tratar de uma síndrome hereditária de câncer HBOC (Síndrome Hereditária de Câncer de Mama e Ovário Hereditário), como já comentado no tópico anterior. Estudos demonstram que mulheres com a mutação BRCA1 e BRCA2 têm entre 57-87% de risco de desenvolver o câncer de mama durante a vida. Existem outros genes de menor frequência relacionados à síndrome hereditária, como os genes CHEK2, PALB2, TP53, entre outros.

HISTÓRIA FAMILIAR DE CÂNCER DE MAMA EM HOMENS: os homens e mulheres devem saber que câncer de mama em homens é possível e pode ser tão devastador quanto em mulheres! No entanto, esse tipo de câncer é raro e afeta mais os homens com idade entre 50 e 65 anos, especialmente quando há casos de câncer de mama na família, como mãe ou avó. Os homens com mutações patogênicas nos genes BRCA1 e BRCA2 têm um risco aumentado de câncer de mama, mas em proporções bem menores que nas mulheres, (apenas cerca de 10%). No entanto, homens com a doença apresentam risco mais elevado de apresentar mutações patogênicas no gene BRCA2 do que no gene BRCA1.

Homens com mutação no gene BRCA2 têm um risco de 6% de desenvolver câncer da mama ao longo da vida, geralmente em idade mais jovem e com pior prognóstico. Recomendações internacionais – da National Comprehensive Cancer Network (NCCN) – sugerem que a pesquisa dos genes BRCA deve ser feita em todos os homens que desenvolvem câncer de mama, e em todos os que têm familiares com uma mutação patogênica conhecida do gene BRCA. Outro fator a se considerar é que o risco de câncer de próstata é até 5 vezes maior para portadores de mutações no gene BRCA2, e 2 vezes maior para as mutações do gene BRCA1.

ALTERAÇÃO GENÉTICA, ESPECIALMENTE NOS GENES BRCA1 E BRCA2: a identificação dos genes de reparo de DNA BRCA1 e BRCA2, na medicina personalizada, não é somente um teste preditivo que pode conhecer suas chances de desenvolver o câncer hereditário de mama e ovário (aumentando a probabilidade de diagnóstico precoce), mas também permite oferecer uma nova alternativa de tratamento para pacientes que já estão com a doença e que apresentam mutações patogênicas nos genes BRCAs, tanto germinativas (herdadas) ou somáticas (tumor), fazendo uso de drogas chamadas inibidores de PARP – possibilitando, assim, maiores chances de tratamento e cura.

 

FONTE: Juliana Kaminski, endocrinologista e metabologista do Instituto de Oncologia do Paraná – IOP e Graziele Moraes Losso, coordenadora do Laboratório de Biologia Molecular do Mantis Diagnósticos Avançados (Grupo IOP).